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Geração iPad e respeito entre gerações

sábado, outubro 20, 2012Recanto das Mamães Blogueiras

Por Mário Gonsales Ishikawa do blog Diário dos papais

Tenho visto com grande frequência no Facebook, manifestações nostálgicas principalmente de pessoas da Geração X, mas não raro vejo também muita coisa vindo focada na Geração Y. Geralmente são coisas do tipo cresci sem iPad, todo mundo tinha apelido e não existia bullying, andava de carrinho de rolimã e chegava em casa com o joelho ralado levando bronca. Isso sim era tempo bom.

Exemplo de saudosismo a uma infancia de outra geração
Exemplo de saudosismo a uma infância de outra geração, que tem circulado no facebook


Para quem tem algo perto de 32 anos, assim como eu, possivelmente cresceu com pais dizendo que quando eles eram pequenos no interior não ficavam vendo TV, não tomavam Yakult e mesmo assim foram muito felizes.
É assim e sempre será. Nostalgia pode ao mesmo tempo mostrar respeito a coisas de uma época que tanto marca a vida de um ser humano, como também pode virar desrespeito.
Fiquei pensando muito nisso esses dias quando vi na TV o seriado Anos Incríveis, com o Kevin Arnold dizendo que a sua geração, a geração dos baby boomers era uma geração fadada a ser problemática por causa da TV.
É interessante como os mais velhos querem respeito e reconhecimento, mas ao mesmo tempo desrespeitam o que é valioso aos mais novos.
Aonde eu quero chegar?
Vamos direto ao ponto então e falar da geração dos pequenos de hoje. A princípio, que geração perdida, crescendo em apartamento, cheio de brinquedos eletrônicos e gadgets dos pais como o iPad. Então cheguei ao ponto. Não é uma história velha? A cada geração o assunto se repete. Nos últimos 120 anos o mundo mudou demais. Equipamentos foram surgindo, as pessoas foram para as cidades, as cidades foram crescendo. É tão natural que a vida mude a cada 20 anos e assim será enquanto o mundo continuar crescendo em população e com isso demandar mais inovação em tecnologia.
Mas a vida é curta e uma só. Na infância a pessoa tem a cabeça cheia de neurônios (sim, mais que um adulto), ávida para formar mais e mais conexões neurais, as chamadas sinapses, então não é de se estranhar que seja um período a se lembrar com tanto respeito, já que ali foram gravadas as impressões mais fortes da vida. O problema se dá quando a falta de racionalidade gera o desrespeito entre gerações, seja um mais novo que não entende o conceito de felicidade na roça, seja o mais velho que acha que o neto nunca vai entender o que é felicidade se ao invés de subir num pé de goiaba tem uma vida completamente urbana.
É algo facilmente resolvido quando você se coloca no lugar dos outros. Mas a vida é curta, repito, e por isso cada um tende a valorizar demais a sua (apenas).
Mais esquisito ainda quando isso vai de pai para filho:o pai criticando o estilo de vida do filho, apartamento, videogame… Muito diferente do interior. Mas não foi a criança que comprou o apartamento. É questão de respeito com o que importa para o seu filho, e isso vai contribuir no respeito mútuo.
Minha geração, que cresceu na cidade tem a desculpa no crescimento urbano. Vamos culpar a especulação imobiliária, que acabou com as ruas tranquilas para brincar e as casas. Mas ainda são apenas desculpas.
O interessante é que nosso cérebro tem um potencial muito grande e se adapta muito bem para usos para o qual não foi planejado. Se quer um exemplo fora de tecnologia, uma das últimas colunas do Hélio Schwartsman (dica do amigo Diego) fala que nosso cérebro não foi preparado na evolução para a leitura. E fazemos isso muito bem.
O fato é que o mundo muda. O adulto normal daqui 30 anos vai sim ter crescido com tablets, viagens frequentes de avião e toda coisa estranha que ainda está por vir. E isso hoje é tão estranho quanto o seu avô dizer que banheiro para ele era um buraco no chão.

Mário por Mário: ..."sou um pai bastante preocupado. Sou muito correto na minha vida, em seguir regras e etc, e isso faz com que eu seja bem rígido em certos cuidados..." 
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16 comentários

  1. Nossa muito bom, é mesmo assim né, minha mãe vive reclamando todo o dia, que passo muito tempo no computador, na altura dela isso nem existia...é coisas assim mesmo, concordo 100% em você!
    Beijão

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  2. Concordo com vc: e só não comprei ainda um tablet pra minha filha porque não sobrou dinheiro!

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  3. Mario, muito bom esses texto. Concordo com vc, cada geração é única, tem suas características e peculiaridades.
    Eu vivi no meu tempo e quero que o meu filho viva no dele. Sem cometer exageros. Mesmo a tecnologia tem a sua hora. Acho que o facebook, por exemplo, não é coisa pra criança de 5 anos, como vejo por aí, na verdade o único computador nessa idade é o de brinquedo. Na minha opinião!
    Aqui em casa é cheio de brinquedos mordeninhos, mas são brinquedos!

    A propósito, eu amo anos incríveis até hoje! rs

    beijos

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  4. Cada fase tem seu valor, daqui alguns anos tudo isso vai se repetindo, é a vida!

    A geração de agora vai reclamar da geração de depois, mas tem que haver compreenção, as coisas mudam, as vezes pra pior e as vezes pra melhor, porem muito disso é questão de ponto de vista!

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  5. Olá mamães, muito obrigado pelos comentários. Grande abraço.

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  6. Fico abismada com a velocidade com que o meu filho de dois anos e meio lida com o I pad...muita conexão cerebral.É só falar em I pad que seus olhos brilham e por ele ficaria o dia inteiro vidrado nos aplicativos ( que são mararvilhosos)...mas não deixo, o I pad fica guardado para alguns momentos estratégicos ...as épocas mudaram mas a necessidade do corpo ainda é a mesma... no desenvolvimento as crianças precisam da sensação e propriocepção que só brinquedos concretos podemo oferecer!!abraços lizandra (http://tempoemcasa.blogspot.com)

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  7. Oi Mário!
    Gostei muito do seu texto.
    Realmente, precisamos respeitar as gerações e as evoluções que vem com elas.
    Foi muito boa a minha época, mas agora nossos filhos estão em outra geração e precisamos dar valor ao que eles gostam também.
    Abraços e obrigado por participar aqui conosco.

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  8. Mário, é isso mesmo,o respeito é tudo!
    Gostei muito do texto, muito bom ter um papai blogueiro colaborando aqui no recanto.

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  9. Oi!!!!!
    Vim convidar a vc para o sorteio que está ocorrendo no meu blog. É só acessar o link e boa sorte.
    http://toninha-ferreira.blogspot.com.br/2012/10/esta-rolando-sorteio.html
    Tenha uma semana abençoada.
    Bju

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  10. Mario muito legal a sua participação.
    Cada geração é única e deixa as suas marcas.
    Honestamente nem sei mais o que esperar.
    Acho que daqui alguns séculos eles vão se comunicar da nossa barriga.
    Bjs

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  11. Olá Mario muito legal esse post.
    Acredito que é impossível hoje viver sem a interne e suas conexões, mas daí a substituir os relacionamentos presenciais pelos virtuais, não dá.
    Aqui em casa somos quatro adultos (eu, meu marido e meus dois filhos de 27 e 21 anos respectivamente).
    Aos domingos após o almoço (que fazemos questão de nos encontrar sem TV) todos sentam no sofá.
    Um com celular, outro com computador e outro no Ipad. Daí se faço um protesto é por que sou chata. Se fico fora da internet ou vejo TV ninguém percebe. Qual minha atitude? Ou saio e vou dar uma volta ou me rendo a tecnologia.
    Enfim, as vezes da vontade de quebrar tudo mas é vão querer me matar.....
    A tecnologia e suas interações são importantes mas o relacionamento da família também precisa de um espaço só para eles.
    Abraços
    Cris Chabes

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  12. Legal!!
    tbm cresci sem nada disso e muito feliz :D

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  13. Eu já sou da geração tecnológica, neste momento estou no notebook, com smartphone ao lado e tablet ligado, detalhe, este sendo manuseado pela minha filha de três anos e oito meses!

    Entendo super esse sentimento de nostalgia, mas vejo que tudo faz parte da nossa vida e não tem como lutar contra! Meus pais dizem que quando eles eram criança não existia televisão, mas também falam que faziam de tudo para ir na casa dos amigos que tinham e pediam para seus pais comprarem. Hoje, nossos filhos nos pedem tablets, é o que temos de "novidade"!

    Beijos, Má <3
    www.monmaternite.com

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  14. Olá mamães!

    Obrigado pelos comentários. Que pena que não tem um botão de curtir nas mensagens :)

    E eu concordo que o contato físico e as brincadeiras mais tradicionais são importantes. O iPad foi somente para ilustrar o que é de novidade nessa geração.

    Convido vocês para entrarem no blog e acompanhar nossa fanpage no Facebook http://www.facebook.com/diariodospapais

    Beijos

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  15. Ótimo o texto. Estou aplaudindo de pé.
    beijos
    Chris
    http://inventandocomamamae.blogspot.com/

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