Colaboradora Relato

Um bebê no baile

sábado, julho 06, 2013Recanto das Mamães Blogueiras

Por Emanoelle Wisnievski, do blog Manu Mamãe


Não sou a mãe que isola o bebê do mundo para evitar que ele se assuste com barulho, mas admito que não gosto de expor o Joãozinho a sons muito altos. Até já desejei que abaixassem o volume do mundo (veja aqui), só que volta e meia a gente se pega numa situação de bastante agito e que não tem como evitar... A última semana foi uma prova de fogo. Durante três noites consecutivas, meu filhinho participou de solenidades da formatura da tia dinda Dani, e me surpreendeu!


Sair da rotina já é um desafio e tanto pra nós. O horário do banho e de dormir costuma ser sagrado e nesses dias aí, tivemos de alterar tudo. Eu senti que ele não gostou muito de adiantar o banho e que ficou perdidinho sem saber se já dormia ou brincava mais um pouco.

Mas se na missa e no baile (sim, ele foi ao baile!!!) ele deu um show de bom comportamento, a colação foi uma triste experiência para nós, pais, e para ele.O chororô foi grande e a culpa também é nossa. Acompanhe...




A formanda, cunhada comadre Dani


Quinta-feira, uma das noites mais especiais na vida da minha cunhada e a gente na expectativa... Como Joãozinho iria reagir ao barulhão de uma cerimônia de formatura no teatro? Eu passei o dia em função de adaptar a rotininha dele. João pai chegou em cima da hora e saímos às pressas, mas com o menino nos trinques de lindo com a roupinha nova e até com a pulseirinha de ouro que tem o nome dele gravado (presente da madrinha).

Que moço lindo, né?

Chegamos quando o negócio tava começando e sem muito tempo pra pensar, sentamos nas cadeiras que, com a maior boa vontade do mundo, a formanda nos reservou lá na frente do palcoEle dormia profundamente no bebê conforto, que deixei do meu ladinho, no corredor do teatro, enquanto acontecia aquela muvuca de pré-evento... fotógrafos em posição e eu com a câmera em mãos para filmar a apresentação da sobrinha Duda (filha da formanda Dani, no caso).


Pausa para a explicação: Mãe e filha fizeram a homenagem aos pais, a Duda cantou lindamente e emocionou toda a plateia no momento mais top da cerimônia... (pena que a gente teve de ver isso lá do lado de fora). 

Som baixinho, parentada aproveitado pra babar no nosso bebezinho, tudo corria bem até que aquela tonelada de caixas de som bem na nossa frente começou a reproduzir a música de abertura da noite e, ao fundo, familiares felizes demonstravam todo seu amor pelos formandos com aquelas insuportáveis divertidas buzinas, cornetas e vuvuzelas. O guri deu um pulo e acordou do seu soninho em meio ao fim do mundo... claro que se assustou! E começou a chorar... bem na hora que o reitor entra e se posiciona lá no meio.

Repare: estávamos na terceira fileira, atrás apenas dos professores, bem no centro do teatro. Ah, e a mamãe aqui não teve o bom senso nem de botar uma roupa discreta, era vermelha mesmo. O mestre de cerimônia chamando as autoridades para compor a mesa e no meio disso eu tirando o peito pra fora para tentar acalmar o menino. Todas as atenções do teatro voltadas para... nós!

berreiro continuou e com o peito meio pra fora meio pra dentro levantei dali decidida a levar o menino pra fora... a música já tinha parado, os formandos estavam sentados, e ia começar o hino nacional. Não tendo como ser discreta, passei na frente da mesa de autoridades mesmo e lá fui me posicionar no cantinho do teatro para embalar o Joãozinho até que o pai tivesse coragem de sair do lugar e vir atrás de mim.

Lá no cantinho estava, quando o hino começou e os formandos se voltaram para... mim!!! Sim eu estava embaixo das bandeiras!!! De vermelho, com o bebê chorando, o peito meio pra fora e uma cara de avestruz procurando buraco... Pois só me restava cantar o hino. kkkkkkk

Passado o sufoco, bebê mais calminho, o pai já disfarçadamente presente, achamos bancos mais para o fundo. Mas aí vem a psicologia do bebê que não sei porque pancadas d'água volta a chorar se a gente senta. Desistimos da colação e subimos rumo à porta de saída, sem muita esperança de participar daquilo tudo.

Foi quanto nos demos conta do quanto fomos imbecis irresponsáveis. Ser mãe de primeira viagem tem dessas coisas viu? Nem me condenem! rarara. Ali no saguão de entrada do teatro, com as portas abertas o suficiente para assistirem a tudo o que se passava lá no palco, estavam umas dez crianças com seus pais e mães. Lá era o nosso lugar desde o começo. Quanta pretensão levar o menino pra dentro da caixa de som e achar que poderíamos assistir à colação colados no palco né?

Aí relaxamos nos sofás decorativos dos cenários montados pela empresa que organiza a festa e descobrimos mais uma vez que pais e mães de bebês não podem levar a vida como todo mundo. Enquanto no banheiro já tinha fila pro trocador, no sofá ao lado uma mãe trocava a fralda da menina de uns três anos, o pai balançava o bebê de colo e outros pais andavam para lá e para cá mostrando as flores cenográficas para suas crianças.

Pudemos ver, apesar de lá de longe, o momento da homenagem e no telão vi a cara dos meus sogros aos prantos de emoção. E, àquela altura mais espertos, batemos em retirada antes que o teatro todo resolvesse sair. Até porque Joãozinho já estava irritado de sono e agitado demais, chorando de novo.

Chegamos em casa exaustos e com mais uma lição aprendida. Nosso lugar nesses eventos é o mais longe possível das caixas de som, do palco, do palanque, da cena em si. Mas perto o suficiente para sentir com os que amamos a emoção que o momento proporciona.

Pena que não pude filmar a apresentação e o João só conseguiu registrar a voz da Duda... Nem pudemos tirar as tradicionais fotos no cenário com a cunhada... Só sobrou essa foto aí, do papai e do bebê assustado nos sofás do hall e o videozinho com a cantoria da sobrinha.

Cara de pau: com os pés nos sofás do cenário, rara

Segundo e terceiro dias...

Na missa foi tudo tranquilo
Escolados com a aventura da noite anterior, na sexta adotamos novas estratégias. Chegamos atrasados à missa e tentei manter o bebê acordado, para não levar aquele susto da noite anterior. Funcionou bem e a solenidade foi mais rápida, então sobrevivemos sem traumas. Tivemos de ficar em pé o tempo todo, porque sentar é pedir manha, mas tudo bem... por isso mesmo já ficamos lá no fundão, no corredor lateral da igreja. A coisa fluiu tão bem que pudemos até ir lá no altar tirar fotos no final. E ainda fomos à pizzaria comemorar. Ele dormiu boa parte do tempo e aguardou minha última garfada na marguerita para pedir peito e jantar também.
Primeiro longo pós-Joãozinho

No sábado a agitação começou cedo. Eu e dona Sônia tínhamos salão marcado pras 15 horas. Saímos de lá às 17 e tudo correu bem. Ele até gargalhou pra cabeleireira. Mas daí em diante as horas voaram e entre mamadas, banho e arrumação (ele tava lindo de bonito com camisa social e suéter), joguei o vestido pela cabeça (sem cinta, na barriga no peito e na coragem, escondendo a polchete e erguendo a central de aticínios) e saí calçando os sapatos para estarmos todos prontos às 22. Só parei um minuto pra exigir que o marido tirasse uma foto. Afinal, cenzão de salão + vestido + acessórios + sapatos... vocês me entendem né?


Antes que dormisse, olhei fundo nos olhinhos do meu filhinho e conversei. Vai que ele compreende né? "Filho, estamos indo no baile da tua tia. Lá vai estar o maior barulhão, mas não se assuste tá? É tudo festa e alegria e a mamãe vai estar do teu lado o tempo todo. Não precisa ter medo". Acho que ele copiou!

No caminho ele adormeceu e pedi ao João que colocasse música no carro. Foi aumentando o volume gradativamente até chegarmos lá, para ir se ambientando aos poucos. Como fomos uns dos primeiros, a música ainda era baixinha e tudo correu bem. Fizemos a foto oficial e procuramos a mesa.

Pausa para o drama: não levamos a câmera boa porque não deixavam entrar, levamos a menor... que ficou sem bateria na segunda foto. Viu que bom que exigi a foto antes de sair de casa? rerere.

A única foto com a dinda, graças à câmera da Kati


É claro que a dinda Dani tinha conseguido escolher um lugar maravilhoso pra família acompanhar a festa: na frente (eu disse NA FRENTE) do palco! uahauhauhaauhhua. Ai gente, que dor no coração. Se no teatro o som era alto, ali era estratosférico. Bora rezar pro sono do guri aguentar pelo menos até a entrada dos formandos.


Como a vida muda né? Há um ano eu era arroz de festa e amanheceria numa formatura dessas, dançando muito, me divertindo muito. No sábado passado, minha única e exclusiva preocupação era não deixar meu filho se assustar. Cobri o bebê conforto com o cobertor, tentando criar um isolamento acústico, botei paninhos ao redor das orelhinhas dele e segurei a mãozinha dele quase o tempo todo.

Mas este meu Joãozinho me encheu de orgulho e mergulhou profundamente nos braços de Morfeu.Dormiu mesmo quando a música ficou alta e o locutor começou a chamar os formandos.Foi quando as torcidas começaram de novo com as malditas doces buzinas, vuvuzelas, cornetas dos cornos!

A cada cornetada, um pulinho e uma ameaça de abrir os olhos. Eu fazia carinho, tentava tapar os ouvidos e ele continuava dormindo. Aquele barulho era insuportável até pra gente... e pensar que antes eu achava super legal, rerere. Aí um rapaz resolve passar buzinando atrás de mim. Ele praticamente esvaziou a corneta onde, onde? Coladinho no bebê conforto. Ai ai ai...

Num impulso irracional, virei para trás e acertei minha mão nas costas do rapaz. A vontade era de esganar, mas o cérebro agiu rápido e eu voltei pros eixos. Não sem antes largar um sonoro 'filhodaflauta' pro moço que ficou sem entender nada. A família toda já estava virada em nossa direção, porque o som da corneta chamou a atenção. E tio Celso quase tomou minhas dores e foi tirar satisfação com o corneteiro, que continuou sem entender por que todo mundo naquele lugar podia brincar com o objeto barulhento menos ele. kkkkkkkk

Claro que fiquei morrendo de vergonha por minha atitude, mas naquela hora mamãe virou leoa e não pensou em mais nada. Até me dar conta, no segundo seguinte, que quem estava no lugar errado éramos nós, não ele. E quer saber? Joãozinho não acordou.

Que que tá acontecendo aqui, mamãe?


Os formandos todos foram apresentados, cada um com sua música, tudo super divertido e eu quase não via nada além de um bebê dormindo... Felizmente tudo ficou bem. O baile começou e o tchu-tcha-tcha acabou acordando o pequeno, mas aí já era pra além da uma da madrugada. Ele estalou os olhinhos e procurava de onde vinha o barulho enquanto eu ficava bem pertinho conversando. Ou seja... pra mim não foi exatamente um baile de formatura, mas uma maratona de 'não deixe o bebê chorar'.


Lá pelas tantas peguei ele no colo e dancei um pouquinho. Dancei com o papai também, pra não ficar com ciúmes, enquanto o vovô cuidava do neném. E quase duas da manhã voltamos pra casa sem ouvir um pio de choro. Quando entrei no carro ele abriu o berreiro. Mas aí já era hora de mamar... e voltamos felizes pra casa.

Foi uma aventura e tanto. Entre arranhados e feridos, salvaram-se todos os tímpanos. Acho que depois dessa, podemos ir a qualquer lugar com o pequeno. Já passamos no teste!
Agora você me pergunta: por que não deixamos ele com alguém? Por enquanto não tenho coragem. Ele mama no peito e só no peito. Ficar duas horas longe é tempo demais. 

Pais aprovados

Destaques: foi tudo lindo, perfeito em cada detalhe. A Dani caprichou no bolo, salgadinhos, frisantes (tomei um pouquinho) e até nos copos personalizados. Ela tava linda demais. Mara mesmo.

Bolo lindo e delicioso

Por hoje é isso, mas logo volto porque semana que vem tem consulta com a pediatra e neste final de semana sessão de fotos com a Fabi Guedes (finalmente vamos fazer a segunda parte do pacote que começou com minhas fotos de gestante, em dezembro) e curso de pais e padrinhos para batismo. Tem também um monte de novas peraltices que relatarei em breve.

Beijocas.  


Emanoelle Wisnievski, de Ponta Grossa, PR. Jornalista em licença-maternidade, dona-de-casa em experiência e mãe pelo resto da vida.


Participe também deste espaço enviando email para recantodasmamaes@yahoo.com.br

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3 comentários

  1. temos que ter paciência
    nossa vida depois dos filhos não
    é mais nossa mesmo
    rs,
    linda noite bjs

    http://sermamaepelasegundavez.blogspot.com.br/

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  2. Nossa... três noites de festa já é cansativo para adultos né? Mas faz parte... minha Mariana, com 20 dias foi a um casamento e festa... eu e o papai eramos padrinhos dos noivos, não tinha como não ir! Mas assim tão pequenininhos (20 dias),eles dão bem menos trabalho. Com 1 ano fomos à formatura do meu sobrinho (primo dela), mas era em outra cidade, então não conseguimos participar de tudo, só a festa no sábado. Ela deu umas choradas lá... mas depois dormiu como uma anjinha, mesmo no barulhão da festa (mas... não tinha vuvuzela!!! Graças a Deus rsrsr)
    Mas realmente... nessas horas a gente aprende que agora, nossa vida gira em torno dos filhotes e não mais segundo as nossas vontades e gostos! Mas faz parte, eles crescem logo!
    beijos

    www.aprendendoasermaehoje.com

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  3. Passei por isso na minha colação de gau, meu menino tinha só 2 meses. Mas eu reservei as ultimas mesas bem longe do palco, aquelas que ninguém queria kkk
    Ainda por cima me precavir e levei os tampões de ouvido para RN, mas nem foi preciso pois minha mãe que estava com ele preferiu ficar dando umas voltinhas nos corredores.

    beijos

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