Adoção Dani Garcia

Adoção para ser Feliz

sexta-feira, junho 08, 2012O mundo da Dani


Uma família tão grande quanto a sua felicidade!

"Jamais idealizei filhos, só queria ser mãe e tenho um orgulho enorme da família que construí." (Flora)
Olá, meu nome é Flora, moro no litoral do estado de S. Paulo. Solteira, 53 anos e mãe de 04 filhos, 03 deles através da adoção. Vou falar um pouquinho de cada uma deles, e de como foi formada minha família amada.
Fui mãe biológica aos 27 anos. Ganhei minha filha Lu, que sempre digo que é minha alma gêmea. Uma criança doce, calma, carinhosa, crescida na escola de período integral, pois dos seis meses aos 10 anos ficou na escola das 7 da manhã às 18 horas, pois eu trabalhava duro o dia inteiro. Foi fruto de uma relação estável que chegou ao fim antes de minha menina completar 01 ano, mas mantemos até hoje uma bela amizade, eu e o pai, sua nova esposa e os filhos que vieram da nova relação. Hoje minha primogênita tem 26 anos, é uma pessoa super bem resolvida, já voou do ninho para estudar e trabalhar e está de casamento marcado para este ano. Me enche de orgulho ver minha moça administrando tão bem sua vida.
Sempre quis ter muitos filhos, dizia que teria 04 como minha mãe.
Em 1994, eu com 36 anos e minha menina com 09, resolvi que era chegada a hora de outro filho. Decidir pela adoção foi natural, pois eu não tinha um relacionamento estável e jamais pensei em algo como “produção independente”.  Lu ficou bem animada com a possibilidade de um irmão, e assim fui me informar no fórum da cidade, dando entrada ao processo de habilitação. Achei horrível aquele questionário do perfil da criança desejada, e coloquei “sim” em todas as opções. Sim, poderia ter qualquer cor, poderia ter qualquer doença, qualquer histórico familiar. Idade preferencialmente entre 05 e 06 anos. Achava que esta era a idade que melhor se adaptava à nossa rotina.
Em pouco tempo chegou meu Léo. Um menino lindo, 04 anos, filho de portadora do HIV e assim sem pretendentes. Em 1994 nem se falava em estágio de convivência, e ele saiu da casa da bio direto para nossa casa. O Conselho Tutelar havia pedido a destituição familiar, a bio resolveu aceitar colocar ele e a irmã para adoção e assim no mesmo dia em que eu trouxe o Leo, uma conhecida que também havia se habilitado adotou a irmã.

Virou minha vida de pernas pro ar!  Léo era um menino super ativo, não aceitava autoridade de nenhum adulto, teve que ir direto para a escola, pois nem licença maternidade havia na época, eu não tinha férias vencidas, enfim, fui aprendendo a ser mãe de menino danado. A falta de limites era total, não podíamos desgrudar o olho um segundo que lá vinha ele aprontando alguma, mas foi desde o primeiro dia muito carinhoso, falante, e o amor chegou rapidamente. A mãe bio havia preparado as crianças para a adoção, então ele me aceitou como mãe desde o primeiro momento. Embora me desse muito trabalho, nunca associei isto à adoção. Tem crianças calminhas e outras nem tanto. Apenas isso. Ganhou logo o papel de xodó na família.
Hoje meu menino está um homem de 21 anos, feliz como manda esta idade, estuda, trabalha, namora, passamos horas conversando sobre a vida, ele adora me contar suas conquistas, seus sonhos, se acha o máximo porque é lindo e vive cheio de garotas aqui em casa atrás dele, enfim, meu filho está virando um homem de bem. Nos amamos, Leo é um garoto muito afetivo, gentil, adora a vida em família e as meninas vivem dizendo que eu soube educá-lo porque ele as trata muito bem. Até hoje tem algum contato com a família bio (avó/tias) o que nunca me incomodou, pois não tenho dúvidas que amor se soma e não se divide.

No ano de 2002, minha filha estava com 17 anos e fazia trabalho voluntário em um abrigo para crianças portadoras do vírus HIV. Em um belo dia chegou em casa encantada com uma garotinha que havia acabado de ser transferida para lá, vinda de um outro abrigo. Dizia que ela “era a nossa cara”, que eu tinha que conhecê-la e pediu que eu a apadrinhasse para que ela pudesse passar os finais de semana em casa. Era uma bebezinha com 18 meses de idade. Assim fiz, e como não se apaixonar por aquela coisinha tão linda? No segundo final de semana já foi um drama devolvê-la, e parti direto para o fórum, para saber de sua situação legal. Lá fui informada que ela havia sido abrigada aos 04 meses e já estava em andamento o processo de destituição familiar. Contratei um advogado, entrei com o pedido de guarda para fins de adoção através de liminar, pois sua saúde estava muito frágil, ela necessitava na época de muitos cuidados que o abrigo não poderia proporcionar, ela tinha sido transferida de outro abrigo, onde era tratada com muito preconceito por ser HIV+, não podendo ter contato com as crianças “normais”, sem nenhum estímulo físico, intelectual ou emocional, e estava com sua imunidade muito baixa, com a infecto estudando seriamente a introdução de início do tratamento com os ARV’s.


Consegui a guarda rapidamente. Já totalmente apaixonada. Como mágica foi ficando cada dia mais saudável e claro que tirou do Léo o posto de xodó da família, pois era o único bebê de toda a família extensa.  Até hoje é a mais mimada por todos, pois é super fofa, falante, carinhosa, inteligente, e todos os adjetivos que as mães babonas dão aos seus filhos. Está com 11 anos, linda, é uma garota super saudável, normal como qualquer criança desta idade, faz o acompanhamento médico mensal e nunca precisou tomar as medicações, pois mantém a defesa alta e a carga viral baixa. Cuido para que tenha uma vida saudável e principalmente feliz, o que não tenho dúvidas contribui para sua saúde física. Talvez chegue um momento em que precisará tomar o coquetel anti-hiv, o que não é nenhum “bicho-de-sete-cabeças”, apenas ministrar os remédios duas vezes ao dia como tantas crianças que vemos no Centro de Tratamento. Hoje viver com HIV é como tantas outras doenças crônicas existentes. O que mais me preocupa ainda é o preconceito existente, embora em todos esses anos nunca sentimos nenhum tipo de preconceito com todos que conhecem sua sorologia. Sempre foi avisado na escola sua condição, nunca escondemos de nossos amigos e o fato das pessoas saberem após algum convívio com a pequena quebra muito dos preconceitos que poderiam existir. Afinal ter HIV não a faz diferente de nenhuma das meninas de sua idade. É uma espoleta que adora andar de bicicleta e skate.

Desde meados de 2009 comecei me sentir “meio grávida”. Brincava com algumas pessoas usando este termo. Sentia que estava na hora de mais um filho. As pessoas achavam que eu estava brincando, e quando falei sério na família o pessoal falou que eu estava ficando maluca. Me aposentei em março de 2010, já lendo muito sobre adoção tardia, pois se em 94 eu não queria bebês, imagina nesta fase da vida. Um pré-adolescente, porque não? Conversamos muito em casa a respeito, tentei estar o mais preparada possível, e em março de 2011 dei entrada com a documentação para a nova habilitação. Em casa os filhos se animaram com a chegada de mais um e decidiram que deveria ser um menino. A princípio pensávamos na idade entre 08 e 10 anos.

Em maio, através do grupo virtual de apoio à adoção conheci meu filho Fábio, 12 anos de idade, abrigado há 02 anos. Fiz umas poucas visitas ao abrigo, pois estava a 520 km de casa, e consegui autorização para trazê-lo durante as férias de julho para o início da convivência e ao final das férias já não era possível imaginar nossa família sem ele. Assim consegui a guarda provisória e em abril/2012 a adoção foi finalizada. Fábio é um menino muito especial. Super boa gente, um bom humor incrível, carinhoso demais, mostra a vontade de “ser filho”, e a cada dia vamos estreitando os laços fraternais aqui em casa. Chegou de maneira tranquila e assim estamos. Trabalhando ainda a solidificação dos vínculos afetivos com muita dedicação e afinco, priorizando o que fará diferença em 10 anos, respeitando seu tempo, alguns de seus hábitos, escolhendo as batalhas a se travar. Não tivemos nenhuma crise, até porque o que pode ser crise para alguns, para outros, não. Claro que há hábitos a serem corrigidos, valores a serem transmitidos, mas tenho todo o tempo do mundo para isso. Antes de me preocupar com sua defasagem escolar, cultural, estou empenhada em fazê-lo se sentir verdadeiramente filho.  Estamos juntos há exatamente um ano. Sinto nos abraços que recebo um amor muito grande.  A cada sorriso de “cara toda” que recebo percebo a felicidade naquele coraçãozinho. No meu coração de mãe já não há distinção entre meus filhos. Não posso exigir que meu menino que chegou em casa perto de completar 13 anos tenha nossos hábitos, valores e princípios mas Fábio aprende muito rápido. As professoras ficam encantadas com a vontade de aprender que ele tem.
Tenho o apoio incondicional de minha família, que acolhe meus filhos fazendo-os se sentirem inseridos nela desde o primeiro momento.
Meus filhos chegam com um passado que sempre respeitei, e será sempre parte de sua história. Procuro sempre minimizar as experiências ruins que possam ter vivido e nunca achei que serão estas experiências que irão determinar suas vidas. Jamais idealizei filhos, só queria ser mãe e tenho um orgulho enorme da família que construí. 
Esta é minha família. Independente da forma que chegaram, em nada difere de uma família normal de 04 filhos, o que significa muitos desafios a serem vencidos, muitos limites a serem impostos, muitos “nãos” a serem ditos e muitos beijinhos a receber.

Flora, mãe muito sortuda de ter quatro filhos perfeitos


Temos muitas historias lindas de puro amor e dedicação como essas...
aguardem...

Adotar é um ato de puro amor incondicional...

beijoss
Dani Garcia

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15 comentários

  1. Poxa, que lindo...
    A adoção é um ato de amor tão lindoooo...
    Tão nobre você não se preocupar com cor, idade, doença..
    Ter a paciencia de educar, o que não é facil nessa idade, ja que eles testam limites tambem...
    Não é para qualquer um...
    Parabéns, vc tem uma familia linda e maravilhosa...
    Que Deus ilumine a vida de vcs sempre...
    Bjs

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  2. Dani e Flora, como é bom ler um texto assim. Cheio de franqueza, de maturidade e é isso que precisamos.
    Também tenho dois filhos através da adoção e fiquei tão emocionada em ler sobre o Léo, que hoje está com 21 anos e bem, é tudo o que desejo.
    Quando comecei a ler, parecia que via Gabriel na história... Desejo muito, como toda mãe, que meus filhos superem os desafios e os traumas que por ventura a vida lhes colocou e como a Flora, procuro ser bem centrada, pé no chão, tentando dar os limites necessários para que saibam enfrentar a vida como ela é.
    Muito obrigada por trazer a Flora e este texto para a blogosfera materna. Posso compartilhar no meu blog?
    Um beijo grande, Juliana

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  3. Rafaella, realmente é um verdadeiro ato d amor incondicional né...
    bjus

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  4. Juliana adoreiii teu comentario...é sempre bom compartilhar historias de amor como as da adoção né.... mande sua historia para nosso e-mail q divulgamos...
    bjaooo

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  5. Diario da mae e da filha....obrigada pelo carinho flor... bjaooo

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  6. Dani, que história linda essa da Flora... amei!
    Infelizmente poucos são assim como ela, que não fez questão da cor, doença, histórico familiar... e essa frase sobre não idealizar filhos foi tudo!
    Uma lição de amor!
    Beijos amiga e ótimo final de semana,
    Lauri

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  7. Dani, que coisa boa ler uma história tão linda para começar o dia...dá esperença de um mundo melhor, pq precisamos de seres humanos melhores e de amor, sempre. Parabéns!!!
    E para a Flora, um beijo carinhoso e toda a minha admiraçao como pessoa e mãe.
    Beijos meninas!!!

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  8. lá.
    Seu blog é muito legal, muita coisa interessante.
    Se quiser participar do agregador Teia seria um prazer para nós
    Parabéns.
    Até mais

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  9. Que lição de amor. Fiquei com o meu coração cheio de alegria por existirem pessoas assim como a Flora, que distribuem amor e atenção.
    Adotar é um ato maravilhoso.
    Parabéns Flora. Parabéns Dani.
    Amei o texto.
    Beijos.

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  10. Nossa, que história!! Alguém pega uma caixinha de lenços para eu enxugar as lágrimas!?!

    Um ano antes de eu engravidar, fiz um trabalho para a faculdade num lar de crianças que tinham sido retiradas de suas casas e famílias. Minha vontade era de levar todas para minha casa, até tentei apadrinhar (ou seria amadrinhar!?!) uma, mas como eu não tinha renda, morava com os pais e tinha apenas 19/20 anos não era aconselhavel.

    Admiro pessoas que tenham esse amor! É emocionante!

    Parabéns Dani pela convidada! Maravilhoso!!

    Beijos, Má
    Monmaternite.com

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  11. Olá vim visitar seu blog! Achei lindo! Estou seguindo seu blog e convido você a conhecer o meu.
    Ficarei feliz se quiser seguir o meu blog também!
    Meu blog é esse: http://amorporamigurumis.blogspot.com.br/

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  12. é uma historia e tantooooooo né meninas...
    da um alivio no coração, saber q ainda existem pessoas q pensam nos outros né....
    nosso mundo ainda tem salvação...

    bjaooooo

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  13. A Flora é o maximo. Conheço a familia dela virtualmente. Ela é uma mãezona babona e sua familia é linda demais.

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  14. Que linda essa família. Eu tenho muita vontade de adotar, mas tem que ser uma escolha de toda a família e ainda não consegui issopor aqui. Mas continuo insistindo, conversando e tentando convecê-los.

    beijos
    Chris
    http://inventandocomamamae.blogspot.com/

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