Colaboradora Colunistas

Sobre medos e decisões: O que aprendi como mãe

sábado, março 08, 2014Andreia Sales


 Quando consegui meu positivo Bernardo já era um “projeto” antigo, primeiramente solo, depois compartilhado com o marido. Nunca tivemos dúvidas quanto a ter ou não um filho. Só precisávamos decidir o tempo certo pra nós dois. E assim foi. Quando decidimos que era hora começamos as tentativas, fizemos tudo em silêncio, porque tem certas coisas que só interessam ao casal e interferências externas, apesar de toda a boa vontade da família e amigos, podem acabar atrapalhando. E deu tão certo e estávamos tão relaxados que na nossa terceira tentativa conseguimos nosso filhote.
E no dia das nossas primeiras bodas estávamos nós dando à família a notícia de que teríamos um novo integrante em breve. Guardamos o segredo por uma semana, só Deus sabe o esforço que eu tive que fazer. E a partir dalí nossa vida mudou e pra melhor.
Durante esta minha curta experiência como mãe aprendi algumas coisas que manual nenhum ensina, e sobretudo passei a entender tanta coisa que meus pais, avós e outros pais em geral diziam, e eu até concordava, mas ó, não tinha a mais fúcsia ideia do real significado daquelas afirmações. E nem tô falando dos clichês, daquelas coisas que de tanto ouvir todo mundo repete e acaba virando um mantra de tão batido, mas de depoimentos sinceros, declarações nem tão cor de rosas mas vindas do fundo do coração mesmo.
Se eu tivesse de redigir o meu manual informal de coisas que aprendi como mãe, ou de coisas que eu descobri depois que me tornei mãe, seria mais ou menos assim:
1)Quando se trata de ter um bebê, você nunca vai ter dinheiro suficiente. Nem tempo suficiente. Nem realização profissional suficiente. Nem sabedoria suficiente. O que eu quero dizer com isso é que se você está esperando escalar o monte Everest primeiro pra depois ter um bebê, talvez seja hora de rever seus conceitos. Eu conheci meu marido com 16 anos, então pra mim foi válido terminar os estudos, me formar, arrumar emprego pra depois casar e ter filho. Mas a partir do momento que decidimos que o tempo estava passando e que precisávamos aumentar a família, fomos atrás. Ainda não temos dinheiro nem sabedoria suficiente, mas porque não buscá-los com Bernardo ao nosso lado? A vida não acaba depois que o bebê nasce;
2)Um bebê muda completamente a rotina do casal. Eu e marido, na era pré Bernardo, já estávamos em casa às 18 horas em casa. Eu chegava mais cedo e dava uma geral na casa pra esperar ele chegar. E conversávamos na cama até cansar. Aí íamos pra sala pra conversar no sofá. E fazíamos jantares especiais só pra nós dois. E eu cuidava das minhas plantas (que hoje descansam em paz, que eu já tenho um bebê pra cuidar). E víamos filmes a qualquer hora. E fazíamos amor (eita que minha família lê isso) em qualquer lugar da casa que quiséssemos. E hoje quando eu chego faço logo o jantar do bebê. E a noite a gente joga bola, corre, faz bagunça, se joga na cama e enche o bebê de carinho e atenção. E depois que ele dorme é arrumar bagunça, preparar coisas pro dia seguinte, limpar, lavar e jantar. Se tento ver um filme antes das 23 horas já to dormindo. Tudo mudou. É bom que você esteja preparado, porque a mudança é brutal. E não vou enganar ninguém, às vezes dá uma baita saudade da vida de antes. Mas logo passa;
3)Prioridades, prioridades. Bernardo mudou nossas prioridades e muda constantemente. Vou na farmácia comprar, sei lá, um shampoo pra mim mas paro na seção infantil pra conferir as novidades. E Bernardo não usa um bocado daquelas coisas a um bom tempo. Se vamos a um restaurante, eu penso logo se tem estrutura de brinquedoteca, fraldário, e essas coisas que eu não dava a mínima antes de ele nascer. Mas que hoje são essenciais e podem ser determinantes no sucesso ou não do nosso lazer;
4)Sair, à propósito, muitas vezes se envolve um esquema de guerra: A que hora vamos? Que horas chegamos? Precisa levar almoço/lanche/jantar? Quantas fraldas levar? Precisa levar pijama? E por aí vai. Não raro saímos de casa com 2 ou 3 sacolas pro Bernardo, e muitas vezes eu acabo esquecendo algo meu pra levar algo pra ele. Na maioria das vezes eu coloco meu celular na bolsa dele e deixo a minha no carro, já que levar mil bolsas e a criança junto é algo extremamente complicado. Mas apesar de tudo isso, sair em família, só nós três, ainda é algo que me enche de alegria. E eu sei que no futuro vamos lembrar de muita coisa com carinho e saudade. Então, eu diria que vale a pena;
5)Dormir é algo muito relativo. As noites em geral são bastante agitadas. Se um dia vai bem, no outro pode ir péssimo. Bernardo ainda mama e constantemente acorda repetindo mamá ad infinintum, enfiando a mão na minha camisola, desesperado. Mas também tem madrugadas que dorme feito anjo e acorda feliz às 6:30 pedindo gagau. Tem vezes que acorda no meio da madrugada chorando, tem vezes que dá gargalhadas dormindo. Não tem uma fórmula secreta. Por isso, se me perguntam se ele dorme a noite toda, eu respondo que há dias e dias. Apesar de as noites de sono ininterrupto serem bem mais raras, elas acontecem. Juro.Mas não se iluda porque uma noite bem dormida não é sinônimo de uma vida de noites bem dormidas. Mas a boa notícia é que você acostuma;
6)Ainda sobre o sono, se seu bebê dorme desde os 3 meses de idade a noite toda eu pergunto logo se ele usa chupeta ou se mama no peito. E na maioria das vezes, dormem bem os que usam chupeta e só acordam quando a dita cuja cai. Se o seu acorda pra que reponham a chupeta, a lógica é que meu acorde pra que reponham o peito. Simples assim. Eu escolhi o peito e tenho que arcar com essa consequência. Amamentar e ter que acordar várias vezes por noite não necessariamente quer dizer que eu esteja fazendo tudo errado. Eu só faço do jeito que eu acho melhor pra mim e pro MEU bebê. Não me culpo pela noite maldormida porque sei que amamentar tem, alêm do bônus, o ônus;
7)Não há fórmula mágica com criança. O que pode dar certo com a sua não necessariamente dará certo com a minha. E o que pode dar certo hoje pode não dar certo amanhã. Seríamos mais felizes se parássemos de comparar umas às outras (tanto mães quanto crianças) e começássemos a respeitar cada um como aquilo que ele é: um ser humano. Com suas particularidades e imperfeições. Que pode ser mais esperto, preguiçoso, risonho, chorão, comilão que o outro mas que nem por isso é melhor ou pior. Não é assim com os adultos também? E sobretudo, manuais são muito bonitos na teoria, mas na hora do aperto, já joguei muitos deles pela janela (e não me arrependo). Não se culpe de jogar uma ou outra regra pela janela de vez em quando. Quem sabe onde o calo aperta é você, seu bebê e seu marido;
8)Bebês choram. E quando são muito pequeninos é a única forma que tem de se comunicar com o mundo. É questão de sobrevivência pra eles. E choro nem sempre é fome. Acredite, seu bebê também tem medos, angústias, dor, frio, calor, necessidade de colinho e afago. E a única forma que tem de expressar isso à você é chorando. Não fique pondo sempre a culpa no seu leite, que é “fraco”. E peloamordedeus, isso de mamar de 3 em 3 horas é uma convenção boba que eu infelizmente segui e até hoje me pergunto o porquê. E desafio alguém a justificar a necessidade de se amamentar apenas de 3 em 3 horas;
9)Seu filho precisa de você. Mais do que de um berço, de cueiro, de chupeta e afins. Precisa de você e de seu marido. Do amor de vocês e dos ensinamentos que vocês irão transmitir. Meu filho teve berço, quarto azul, enxoval conforme listas prontas da internet. Mas tem coisas que até hoje eu me pergunto porque diabos comprei. Ou coloquei na lista do chá de bebê e me deram de presente. Coisas desnecessárias que todo mundo pinta como extremamente necessárias. Aliás, se tem uma coisa de que me arrependo na gravidez e preparativos pra chegada do Bernardo é de dar ouvidos a tudo que me diziam e tentar seguir tudo à risca, sem nem ao menos questionar. E não ouvir o que meu coração e o que a minha necessidade ditava. Teria economizado uma boa grana e teria deixado de me preocupar com coisas tão banais;
10)Por fim mas não menos importante: Informação é fundamental. Mas informação de qualidade, questionadora, ouvindo os vários lados da coisa. Eu quando grávida acreditava que informação de qualidade era ouvir meu obstetra e o que os antigos diziam. Não que eles não tenham sido importantes, mas questionar hoje é fundamental. Não esquecer que o que hoje se apregoa pode ser fruto de uma mentalidade enfaixada, manipulada e extremamente tendenciosa. Fazer uso das armas que se tem hoje de informação e questionamento é o primeiro passo para uma mudança de paradigmas e uma mudança de sociedade. Começando pela nossa casa, nossa família, nosso parto, nossos filhos. Parafraseando um certo intelectual, se eu tivesse que dar uma dica pras futuras mamães e papais hoje, eu diria, usem filtro solar e informem-se. E não aceitem tudo que lhes for dito apenas porque todo mundo faz ou fala.
Ter filhos é um aprendizado diário. É uma constante reinvenção. Uma constante mudança de opinião e de foco. O negócio é não ter medo de errar e de mudar. E saber que tudo passa quando você recebe como pagamento o sorriso mais bonito do mundo.

Texto enviado pela Carol do Blog www.umnovotempo.net.br .Escrevi este texto pensando na minha irmã e meu cunhado, que estão grávidos a pouco tempo. Como foram pegos de surpresa, o pai entrou numa espécie de surto super protetor, fazendo contas toda hora pra saber como um bebê ia caber no orçamento (pra completar, minha irmã foi obrigada a deixar o emprego, comissárias de bordo não podem voar desde a confirmação da gravidez).

 

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4 comentários

  1. É tão bom ser mãe, mas é fato que algumas vezes sentimos falta da vida de antes rs..
    E como mudam as coisas, nossa rotina, nossos lugares...
    E mais mais fato ainda é que nunca teremos maturidade e dinheiro suficientes...
    Adorei o texto :)
    Bjs

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    Respostas
    1. Rafaella, ser mãe eh maravilhoso! Mas desafiador, ne?

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  2. OI Carol, muito legal ter a sua participação no Recanto. A gente aprende muito com os nossos filhos e vamos nos readaptando a nova rotina, a nova vida com eles. Muitas vezes percebemos que os nossos medos iniciais eram "bobinhos", apesar de completamente normais e até necessários para nosso aprendizado.
    Uma ótima semana pra você
    beijos
    Chris
    Inventando com a Mamãe

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  3. Q blog fofooooooooooooooooooooooooo amei as dicas , estou na minha 30 semaninhas de Cristal , seja bem vinda ao meu bloguinho www.maanupink.blogspot.com

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