Aborto Mamãe Andréia

Como ajudar um casal que acabou de perder um bebê

terça-feira, abril 10, 2012Andreia Sales

 Fonte: Revista Pais e Filhos

Esse mês de março foi muito difícil para mim, pois tive notícias muito tristes. Três mães, três perdas.

E me vi numa situação delicada, e oferecendo conforto, amor e amizade.

Esse assunto é pouco falado, mesmo porque é muito difícil saber como ajudar alguém que perdeu um bebê.


Nunca sabemos o tamanho da dor da mãe ou do pai. E isso não depende da idade do bebê. Pode ter sido um aborto espontâneo com 10 semanas, pode ter sido uma complicação durante a gravidez, um bebê que nasceu morto ou mesmo um bebê que nasceu bem e morreu depois de dias ou meses.

O luto é difícil de ser vivido, mas é necessário.

Quando uma mãe, que acabou de passar por uma perda dessa, está vivendo como se nada tivesse acontecido, podemos começar a nos preocupar.

Com a palavra: Patricia Ferreira

As pessoas costumam dizer que quando nasce um bebê, nasce junto uma mãe... Quem fala isso nunca viveu a experiência da maternidade!

A mulher se sente mãe no momento em que abre seu coração e dispõe o seu corpo para gerar uma nova vida... E essa maternidade não se encerra com um aborto ou com a ausência do filho no colo no retorno do parto. Aliás, acredito que a maternidade não se encerra nunca!

Perdi o meu primeiro bebê na 11ª semana de gestação e, como tive a felicidade de descobrir que estava grávida com apenas duas semanas, pude curtir essa experiência por quase dois meses! E que experiência transformadora de vida!

O aborto é um misto de impotência, culpa, desesperança... Um vazio na alma! Sentia-me frustrada por não ter realizado o sonho do meu marido de ser pai, triste por não ter “conseguido” cumprir a gestação em sua plenitude e pequena, diminuída, infinitamente diminuída por não ter recebido meu filho em meus braços.

Ter fé nestes momentos é muito importante, pois a fé nos permite crer que vamos poder recomeçar. Mas comentários do tipo “ainda bem que foi no comecinho”, ou “que bom que você nem chegou a saber o sexo” machucavam quase tanto quanto a perda do meu bebezinho. E pior era: “mas você sabe o que fez de errado que aconteceu isso?


É preciso um mínimo de sensibilidade das pessoas para lidarem com o luto alheio, e muitas pessoas não têm ou não usam essa sensibilidade. Por outro lado, as palavras de incentivo e a troca de experiência com quem já passou pela mesma situação são restauradoras. Para o meu marido, que foi quem recebeu a notícia da perda e ficou responsável por me transmiti-la, foi extremamente importante poder dividir a dor com os amigos. Poder, principalmente, chorar... E ouvir que essa perda não encerra os sonhos.


Hoje me preparo para uma nova gestação que, espero, resulte numa criança linda e saudável! Mas ficarei sempre com a presença desta primeira experiência gravada no meu corpo e no meu coração!

Obrigada, Patricia, por sua coragem! Desejo a todos que passaram por isso que consigam passar pelo luto e andar para frente. E nunca perder a esperança na vida! 


Desejo paz e serenidade pras minhas amigas que estão vivendo esse momento difícil, peço a Deus que conforte cada coração.



Esse foi meu recado de hoje.

 


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13 comentários

  1. Que Deus conforte o coração dessa mãe.. Acredito não ser um momento nada fácil... Nem consigo me colocar no lugar...
    Mas infelizmente tive uma amiga que passou por isso...
    Temos que entregar nas mãos de Deus...

    Beijocas
    Carol

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  2. Andreia, seu recado com certeza pode acalantar o coração de muitas mamães e adorei o texto da Patrícia Ferreira. Eu tive dois abortos que foram muito doloridos, emocional e fisicamente. É um sentimento horrível de impotência ,mas que com o tempo passa, ainda bem. Conto um pouco disso e também sobre meu percurso até a maternidade no www.contosdeumamaepandora.blogspot.com
    Parabéns por abordarem um tema tão importante como este. Um abraço, Juliana

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  3. Essa experiência é muito marcante e dolorosa, não passei por isso, mas sei que a dor é imensa. Tenho uma amiga que perdeu a filhinha ao nascer, só viveu por algumas horas. A dor dela e do marido foi muito intensa e a gente não sabia mesmo como consolar, o que falar, só damos o nosso apoio estando perto. Só DEUS pra consolar realmente o coração.
    Hoje ela tem um menino, engravidou não muito tempo depois, mas a filhinha sempre está em seus pensamentos. A dor diminui, mas a lembrança jamais.
    Um beijo pra você Andréia e um beijo pra Patrícia. Que Deus te abençoe grandemente.

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  4. Que bonito esse texto. Nos faz refletir um pouco sobre como agir com amigos que passam por essa situação! É com certeza muito difícil!!!
    Beijos!!!

    Lívia.

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  5. @Carol Damasceno Não é fácil, eu nunca passei por isso, mas já tive que amparar algumas amigas e é muito triste.
    Bjks

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  6. Juliana nessas horas é muito difícil dizer algo.
    Sei do sofrimento que as mamães passam.
    Mas que bom que você hoje está com seu tesouro nas mães.
    Bjks

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  7. Perder uma pessoa sempre é dificil e se tratando de um filho que é um ser carregado de espectativa e sonhos é mais complicado ainda.E isso independente em que estagio se é um feto,bebezinho ou grande porque é uma parte de nos que se vai.Tenho uma amiga que passou por esse processo dificil ,mais não perdeu a esperança e hoje tem uma menina linda chamada Maria Clara(Clarinha) e esta muito feliz.
    Tenho certeza que não podemos perder a esperança e seguir enfrente se doando com muito amor as pessoas que estão passando por qualquer dificuldade pois isso renova nossa alma e nos mostra que momentos complicados são para todos.
    Um grande beijo para todos e força para viver um dia apos o outro.

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  8. Que Deus conforte o coração da mãe. Beijos!

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  9. Andréia,
    Você sabe passei por isso no mês passado e a frustração só não foi maior, por que tenho um pequeno para cuidar, minha preocupação maior seria a frustração dele que tanto quer um irmãozinho. Mas Papai do Céu é tão bom que cuidou dos 3 aqui em casa com muito carinho.
    Beijinhos

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  10. Obrigada pelo carinho.
    Sinto que cada palavra foi pra mim.
    Só Deus sabe o porque de tudo.
    Bjs

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  11. Minha segunda gestação foi interrompida com 12 semanas, sofri demais, é uma dor indescritível e imensurável, algumas pessoas pensavam que por eu já ter uma filha eu não estava sofrendo muito, porém um filho é insubstituível.
    Mas Deus renova nossas forças e hoje eu estou disposta a tentar denovo.

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  12. É sempre uma situação muito delicada... Só Deus para trazer algum alívio né Déia...

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  13. Olá Andréia esse é um momento difícil para quem vive e delicado para o restante da família que estava curtindo a vida nova junto com o casal
    Não há palavras que amenizem a dor a não ser a esperança de que se recuperem e consigam recomeçar
    Beijocas
    Cris Chabes

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